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Depois de quase seis anos que me proporcionaram uma experiência fascinante pelo mundo da internet, chegou o momento do blog Fora da Caixa transferir suas atividades pra um espaço novo e próprio: o site autorjosuesouza.com.br. Nessa mudança, muitas coisas novas virão! Curiosos? Espero que sim.

Como todo novo começo, espero poder propiciar aos visitantes, uma experiência nova pelo mundo da literatura, mas também convidá-los a conhecer sobre os temas que trago. Querem saber quais são?

Tudo começou quando uma grande amiga minha me contou sobre um episódio na Av. Paulista. A moça era belíssima, me dizia, parada em frente a um hotel desses pra grã-finos. Querendo se proteger da chuva, viu a mulher passando mal. Ao se aproximar, a moça desmaiou. Minha amiga chamou o resgate imediatamente. Mas enquanto esperava por socorro, pediu ao porteiro do hotel que deixasse colocar a moça, caída, pra dentro do local; que a ajudasse a transportar o corpo, pesado, também devido à chuva. O porteiro respondeu não ter “ordens” de deixar nenhuma pessoa entrar, somente clientes ou quem fosse se hospedar, mas consultaria o gerente. Pedido negado na recepção. 

Por sorte, o resgate não demorou. A moça foi atendida e levada a um hospital da região. Chegando lá, os médicos do pronto-atendimento fizeram muitos exames. O diagnóstico? Overdose de cocaína. Logo soube. O estado de saúde da moça era bastante delicado. Os médicos queriam saber informações da paciente: se era usuária de drogas, seus hábitos, há quanto tempo estava desmaiada? Minha amiga não sabia dar respostas, somente dizer que a encontrou passando mal e que desmaiou, antes de chegar o socorro. Ela que havia acompanhado a mulher, buscou num de seus bolsos e entre os pertences da jovem, algum contato, de algum familiar ou conhecido, alguém que pudesse se responsabilizar por ela. Sem êxito. A única coisa que encontrou foi um cartão de visitas. Nele, estava o nome de um rapaz, seus telefones de contato e o cargo que exercia. Resolveu ligar. Depois de se apresentar, falou da mulher, encontrada na Paulista, mas que fora levada ao pronto-socorro. Deu descrições físicas da jovem e perguntou se o rapaz a conhecia (afinal, ela estava com o cartão dele).

“Como você conseguiu meu telefone?”, perguntou à minha amiga.

A voz do homem estava trêmula e ríspida. Ao telefone, minha amiga respondeu do cartão de visitas encontrado no bolso da jovem. Querendo encerrar o assunto, mas entregando-se cada vez que falava, disse: “Olha, não me liga de novo, não, viu? Quanto você quer pra me deixar em paz?”

A jovem era garota de programa e, o rapaz, um cliente. Não revelaram seus nomes, mas a amiga me dizia o mais provável: durante ou depois do programa, consumiu drogas e foi deixada na Paulista, provavelmente, pra continuar o trabalho. Não falou mais nada: o rapaz desligou o telefone e não atendeu mais aos chamados.

Assim que percebeu a situação, minha amiga falou do hotel. Lá, deveriam ter mais informações sobre o caso. A situação do ridículo: de boa-fama, ninguém reconheceu minha amiga, nunca a viram por ali, disseram, nem souberam de nenhum pedido de ajuda sobre acolher uma desconhecida.

A redoma que envolvia: temendo o que pensariam os clientes, nada foi dito sobre as vidas que estiveram, por um momento, tentando se abrigar da chuva e os motivos. Somente um jornaleiro, que trabalhava ali perto, reconheceu minha amiga e disse que, realmente, só estava parada, quando resolveu ajudar. Mas, de verdade, não reconhecia a jovem caída.

As manifestações da vida humana. A difícil condição pra nos mantermos bem. O desconforto.

Vale a pena recuperar uma anedota pra apresentar verdadeiras histórias da condição humana. Algumas limites, às vezes. A caixa que tenta nos colocar pra dentro: nossa proteção contra o tempo, o que fizemos, a decisão que tomamos, temas que pouco tocamos: ora desconhecidos, ora por não querermos conhecê-los.

Moral disso: não falarei. Somente os temas ainda novos que desejo trazer, os textos de autoria, mas também a resenha de livros e autores que leio e que desejo compartilhar nesse espaço com vocês. A literatura e autores pouco difundidos, enfim, uma literatura que deseja sair da caixa e dialogar com o universo.

Apenas um ensinamento: nunca menospreze o que pode sair daqui de dentro. Convenhamos: anda muito chata tanta intolerância, falta de diálogo e de compreensão do outro, pra valer apenas o que pensamos. Concordam? Nessa caixa que se abre, haverá mais que discussão sobre preconceito, suas raízes e aceitação do “diferente”.

Nessa caixa que se abre, sinta-se convidado(a) a sair. Seja bem-vindo(a) a sair da caixa!

Nos falamos em breve!

JS

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